Sabia que até 45% do risco de desenvolver demência está nas nossas mãos e pode ser evitado através de fatores modificáveis ao longo da vida?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou recentemente a sua segunda edição (2026) das diretrizes sobre a redução do risco de declínio cognitivo e demência. Como ainda não existe uma cura ou tratamento amplamente acessível, a prevenção é a nossa maior aliada.
Baseado neste novo documento oficial da OMS, compilei as estratégias mais eficazes para mantermos a nossa mente ágil e saudável.
1. O Poder dos Hábitos Saudáveis
Um cérebro saudável constrói-se todos os dias através das nossas escolhas. A OMS é clara na recomendação das seguintes práticas:
Exercício físico: A atividade física regular é fortemente recomendada. Seja caminhar, nadar ou dançar, o importante é manter o corpo ativo.
Alimentação Equilibrada: Adote um padrão alimentar saudável. Dietas ricas em vegetais, frutas e gorduras boas (como a dieta mediterrânica) são excelentes opções.
Mantenha o cérebro (e a vida social) ativo: O treino cognitivo (aprender coisas novas, ler, jogar) e o convívio social foram identificados como fatores protetores fundamentais.
Corte nos excessos: A cessação tabágica é uma prioridade absoluta, assim como a redução do consumo nocivo de álcool.
Atenção ao mito dos suplementos: A OMS emitiu uma recomendação forte contra a toma de suplementos de vitaminas (como B e E), ómega-3 ou multiminerais se o seu único objetivo for prevenir a demência. A chave está na alimentação real e não nos frascos de comprimidos.
2. Cuidar do Corpo é Cuidar da Mente
O que faz bem ao coração, faz bem ao cérebro. A gestão ativa de certas condições de saúde tem um impacto direto na redução do risco de demência:
Controle os números: Manter a hipertensão, a diabetes, a obesidade e o colesterol (dislipidemia) sob controlo é essencial.
Não ignore a sua audição: Esta é uma das recomendações mais interessantes. O uso de aparelhos auditivos em adultos com perda de audição está recomendado e pode diminuir ativamente o risco de isolamento e, consequentemente, de declínio cognitivo.
Terapia hormonal: A OMS não recomenda o uso de terapia hormonal da menopausa para o propósito específico de reduzir o risco de demência em mulheres pós-menopáusicas com 65 anos ou mais.
Nota: Para questões como depressão, insónias, problemas de visão ou pós-AVC, embora a ligação à cognição exista, a OMS aconselha simplesmente o tratamento habitual e precoce, seguindo as diretrizes clínicas gerais.
3. O Ar que Respiramos
Uma novidade que ganha cada vez mais destaque: o nosso ambiente. A redução da exposição à poluição do ar (especialmente as poeiras finas, conhecidas como PM2.5), tanto dentro de casa como na rua, provou ter um papel importante na diminuição do risco e incidência de demência. Passar tempo na natureza e garantir uma boa ventilação em casa são pequenos passos que podemos dar.
4. A Abordagem “Tudo em Um”
A OMS destaca que não precisamos de nos focar apenas numa destas áreas. Intervenções personalizadas que englobem três ou mais fatores de risco ao mesmo tempo (por exemplo: começar a caminhar + melhorar a dieta + participar num clube de leitura) são a forma mais eficaz de maximizar a nossa saúde cognitiva.
Em suma…
As diretrizes de 2026 da OMS deixam uma mensagem clara de esperança: nunca é demasiado cedo, nem demasiado tarde para começar a proteger o nosso cérebro. Contudo, a OMS lembra que a responsabilidade não é apenas individual. É preciso que as políticas públicas garantam equidade no acesso à saúde e criem ambientes propícios a estilos de vida saudáveis.
E para si? Qual destes hábitos já faz parte da sua rotina e qual gostaria de melhorar? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo!
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